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quarta-feira, 22 de abril de 2009

Traz outros amigo também

Amigo
Maior que o pensamento
Por essa estrada amigo vem
Não percas tempo que o vento
É meu amigo também
Em terras
Em todas as fronteiras
Seja benvindo quem vier por bem
Se alguém houver que não queira
Trá-lo contigo também

Aqueles
Aqueles que ficaram
(Em toda a parte todo o mundo tem)
Em sonhos me visitaram
Traz outro amigo também

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quarta-feira, 4 de junho de 2008

Balada do Outuno

Mais uma vez o Zeca nesse inesquecível concerto no Coliseu dos Recreios em Lisboa, aqui cantando ao jeito do Fado de Coimbra

Águas e pedras do rio

Meu sono vazio
Não vão acordar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar

Rios que vão dar ao mar
Deixem meus olhos secar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar

Águas do rio correndo
Poentes morrendo
P'ras bandas do mar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar

Rios que vão dar ao mar
Deixem meus olhos secar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar

Para ouvir e ver este tema clicar >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>> aqui

sábado, 1 de março de 2008

A morte saíu à rua

O significado deste poema de José Afonso, não podia referir-se apenas ao assassinato do pintor José Dias Coelho em 19 de Dezembro de 1961, morto a tiro pela PIDE numa rua de Alcântara em Lisboa, mas simbolizava para quem o ouvia, todos os mortes e torturados pela PIDE nessa época sombria de 40 anos.

A morte saiu à rua num dia assim
Naquele lugar sem nome pra qualquer fim
Uma gota rubra sobre a calçada cai
E um rio de sangue dum peito aberto sai

O vento que dá nas canas do canavial
E a foice duma ceifeira de Portugal
E o som da bigorna como um clarim do céu
Vão dizendo em toda a parte o pintor morreu

Teu sangue, Pintor, reclama outra morte igual
Só olho por olho e dente por dente vale
À lei assassina à morte que te matou
Teu corpo pertence à terra que te abraçou

Aqui te afirmamos dente por dente assim
Que um dia rirá melhor quem rirá por fim
Na curva da estrada há covas feitas no chão
E em todas florirão rosas duma nação

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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Vampiros

Em 29 de Janeiro de 1983 realiza-se o espectáculo no Coliseu com José Afonso já em dificuldades.

Participam Octávio Sérgio, António Sérgio, Lopes de Almeida, Durval Moreirinhas, Rui Pato, Fausto, Júlio Pereira, Guilherme Inês, Rui Castro, Rui Júnior, Sérgio Mestre e Janita Salomé.

É publicado o duplo álbum Ao Vivo no Coliseu."


No céu cinzento sob o astro mudo
Batendo as asas Pela noite calada
Vêm em bandos Com pés veludo
Chupar o sangue Fresco da manada

Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada [bis]

A toda a parte Chegam os vampiros
Poisam nos prédios Poisam nas calçadas
Trazem no ventre Despojos antigos
Mas nada os prende Às vidas acabadas

Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada [bis]

Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia As portas à chegada
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada [bis]

No chão do medo Tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos Na noite abafada
Jazem nos fossos Vítimas dum credo
E não se esgota O sangue da manada

Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada [bis]

São os mordomos Do universo todo
Senhores à força Mandadores sem lei
Enchem as tulhas Bebem vinho novo
Dançam a ronda No pinhal do rei

Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada [bis]

Se alguém se engana Com seu ar sisudo
E lhe franqueia As portas à chegada
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada [bis]

Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada [bis]

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Canção de embalar

Na passagem dos 21 anos da sua morte, uma dos seus temas de sempre, numa altura em que se torna cada vez mais necessário "repor" o Zeca Afonso, na actualidade dos nossos dias.

Dorme meu menino a estrela d'alva
Já a procurei e não a vi,
Se ela não vier de madrugada,
Outra que eu souber será pra ti
ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô (bis)

Outra que eu souber na noite escura,
Sobre o teu sorriso de encantar,
Ouvirás cantando nas alturas,
Trovas e cantigas de embalar. (bis)
ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô (bis)

Trovas e cantigas muito belas,
Afina a garganta meu cantor,
Quando a luz se apaga nas janelas,
Perde a estrela d'alva o seu fulgor
ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô (bis)

Perde a estrela d'alva pequenina,
Se outra não vier para a render
Dorme que ainda à noite é uma menina
Deixa-a vir também adormecer
ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô (bis)

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