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sábado, 12 de setembro de 2009

Pão de pedras

Já são horas meus senhores
de lançar o grão à terra
n´é com ervas da regueira
que a gente ganha a guerra

Verdes campos verdes prados
p´la minha mão aqui plantei
vejo estevas vejo cardos
crescerem desde que abalei

A cavar em terra allheia
ganho pedras não sementes
não sei fazer pão de pedras
p´ra fome que a gente sente


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sábado, 24 de janeiro de 2009

Esperança

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Se quiseres partir amanhã
eu paro o mundo
com facilidade assim
com esta mão
e então descobriremos
o mais profundo fundo que há no mundo
que é no irmos fundo às coisas
que há razão
de verdades consumadas me consomem
de falácias bem montadas me alimentam
mas meu filho mora o reino do futuro
que é mais duro
e não vai ser com palavras
que o contentam

Se a morte lenta te rebenta sob a pele
a cada dia
e se no teu braço apenas sentes a força
de um cansaço organizado
mas manténs na tua fronte a dúvida
e o gosto pelo longe e a maresia
e se sentes no teu peito de criança
a alma de um sonho amordaçado
se quiseres partir amanhã
eu paro o mundo
com facilidade assim
com esta mão
e então descobriremos o mais profundo
fundo que há no mundo
que é no irmos fundo às coisas que há razão

(iste mundus furibundus falsa prestat gaudia
quia fluunt et decurrunt ceu campi lilia
Laus mundana vita vana vera tillit premia
nam impellit et submergit animas in tartara)



sábado, 20 de dezembro de 2008

Bonita

Primeiro foram as mãos que me disseram
que ali havia gente de verdade
depois fugi-te pelo corpo acima
medi-te na boca a intensidade
senti que ali dentro havia um tigre
naquele repouso havia movimento
olhei-te e no sol havia pedras
parámos ambos como se parasse o tempo
parámos ambos como se parasse o tempo

é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas
é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas

atrevi-me a mergulhar nos teus cabelos
respirando o espanto que me deras
ali havia força havia fogo
havia a memória que aprenderas
senti no corpo todo um arrepio
senti nas veias um fogo esquecido
percebemos num minuto a vida toda
sem nada te dizer ficaste ali comigo
sem nada te dizer ficaste ali comigo

é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas
é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas

falavas de projectos e futuro
de coisas banais frivolidades
mas quando me sorriste parou tudo
problemas do mundo enormidades
senti que um rio parava e o nevoeiro
vestia nos teus dedos capa e espada
queria tanto que um olhar bastasse
e não fosse no fundo preciso
queria tanto que um olhar bastasse
e não fosse preciso dizer nada

é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas

é tão dificil encontrar pessoas assim pessoas

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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Companheira

O Pedro Barroso é um extraordinário poeta e um músico de excepção que este País bacoco teima em tentar esquecer, mas nós não deixamos, digo eu


Deixei pousar minha boca em tua fronte
toquei-te a pele como se fosses harpa
escorreguei em teu ventre como o vento
e atravessei-te em mim como se fosse farpa

Deixei crescer uma vontade devagar
deixei crescer no peito um infinito
morri da morte lenta do desejo
e em cada beijo abafei um grito

Quando desfolho o livro velho da memória
sinto que o tempo passado à tua beira
é um espaço bom que há na minha história
e foi bonito ter dito companheira

Inventei mil paisagens no teu peito
rebentei de loucura e fantasia
quando me olhavas devagar com esse jeito
e eu descobri tanta coisa que não vias

Havia em ti uma forma grande de incerteza
que conseguias converter em alegria
havia em ti um mar salgado de beleza
que me faz sentir saudades em cada dia

Quando desfolho o livro velho da memória
sinto que o tempo passado à tua beira
é um espaço bom que há na minha história
e foi bonito ter dito companheira

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domingo, 27 de abril de 2008

Menina dos olhos de água

Pedro Barroso nasceu em 1950, estreou-se em público no Zip-Zip em 1969

prémio para a melhor canção de 1987 (Menina dos Olhos d'água),

Menina, em teu peito sinto o Tejo,
E vontades marinheiras de aproar.
Menina, em teus lábios sinto fontes,
De água doce, que corre sem parar.
Menina, em teus olhos vejo espelhos,
E em teus cabelos, nuvens de encantar.
E em teu corpo inteiro sinto feno,
Rijo e tenro que nem sei explicar.

Se houver alguém que não goste
Não gaste, deixe ficar,
Que eu só por mim quero te tanto,
Que não vai haver menina para sobrar.

Aprendi nos 'esteiros' com Soeiro
E aprendi na 'fanga' com Redol
Tenho no rio grande, o mundo inteiro,
E sinto o mundo inteiro no teu colo.

Aprendi a amar a madrugada,
Que desponta em mim quando sorris,
És um rio cheio, de água lavada,
E dás rumo à fragata que escolhi.

Se houver, alguém que não goste
Não gaste, deixe ficar,
Que eu só por mim quero te tanto.
Que não vai, haver menina para sobrar.

Para ver e ouvir clicar>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>> aqui